Etiologia das infeções intestinais em crianças menores de 12 anos de idade, na cidade da praia, ilha de santiago, cabo verde

  1. Denise Tiziana e Doris Andrade Colito
Supervised by:
  1. Pilar Foronda Rodríguez Director

Defence university: Universidad de La Laguna

Year of defence: 2021

Committee:
  1. Basilio Valladares Hernández Chair
  2. Maria Antonieta Quispe Ricalde Secretary
  3. Carlos Feliu José Committee member

Type: Thesis

Teseo: 683456 DIALNET

Abstract

A doença diarreica é uma das principais causas de mortalidade e morbidade infantil em África e resulta principalmente de alimentos e fontes de água contaminados. Embora o impacto das infeções intestinais na saúde seja amplamente reconhecido em nível global, seus preditores de prevalência em Cabo Verde não são completamente conhecidos, todavia, todos os anos são notificados vários casos de problemas gastrointestinais em crianças, muitas vezes de causa desconhecida. Por esse motivo, o objetivo deste estudo foi identificar os agentes etiológicos da diarreia em crianças Cabo-verdianas. Um total de 105 amostras de fezes de crianças com diarreia de 0 a 12 anos foram coletadas (2018-2019) no Hospital Central da cidade capital do país. As amostras foram analisadas em painel gastrointestinal Biofire® Filmarray® com sistema Biofire® Filmarray® integrado e observação em microscopia foi realizada para deteção de espécimes de parasitas. Giardia sp. e Cryptosporidium sp. também foram identificados por PCR e sequenciamento. Os possíveis fatores de risco desses patógenos foram analisados por meio de regressão logística, testes de Qui-quadrado ou teste exato de Fisher. A taxa de infeção das crianças no estudo foi 90.5% (95/105; 83.1 - 95.3), com prevalência de 70.48% (74/105; 60.78 – 78.98) para bactérias, 60% (63/105; 50 - 69.4) para protozoários e helmintos e 48.57% (51/105; 38.70 – 58.53) para vírus. Foi identificado 10 tipos de bactérias, Escherichia coli enteroagregativa (46.60%; 36.71 – 56.70), E. coli enteropatogênica (40%; 30.56 – 50.02), Shigella / E. coli enteroinvasiva (29.52%; 21.02 – 39.22), E. coli enterotoxigênica (12.38%; 6.76 – 20.24), Campylobacter sp. (10.48%; 5.35 – 1.97), Vibrio parahaemolyticus / vulnificus / cholerae (4.76%; 1.56 – 10.76), Clostridioides difficile (3.81%; 1.05 – 9.47), Vibrio cholerae (2.86%; 0.59 – 8.12), E. coli produtora de toxina do tipo Shiga (2.86%; 0.59 – 8.12) e Salmonella sp. (0.95%; 0.02 – 5.19). Foi detetado quatro vírus diferentes; rotavirus A em 28.57% (30/105; 20.18 – 38.21), sapovirus I. II. IV e V em 11.43% (12/105; 6.05 – 19.11), norovirus GI.GII em 6.67% (7/105; 2.72 – 13.25) e adenovirus F 40,41 em 6.67% (7/105; 2.72 – 13.25) das amostras, não foi encontrada nenhuma amostra positiva para astrovirus. Dos parasitas identificados, 46.7% (49/105) eram protozoários e 40% (42/105) helmintos, Hymenolepis nana (3.8%; 1 - 9.5), Taenia sp. (4.8%; 1.6 - 10.8), Ascaris lumbricoides (19%; 11.5 - 26.5), Enterobius sp. (5.7%; 2.1 - 12), Strongyloides sp. (6.7%; 2.7-13.2), Blastocystis sp. (0.9%; 0.02-5.2) e Entamoeba coli (3.8%; 1-9.5) foram identificados por microscopia. As análises moleculares mostraram a presença de Giardia duodenalis (32.4%; 23.4 - 41.3) e Cryptosporidium sp. (9.5%; 4.7 -16.8), não foi detetado Entamoeba histolytica nem Cyclospora cayetanensis. As análises filogenéticas baseadas nas sequências de nucleotídeos obtidos permitiram identificar os genótipos A e B de G. duodenalis e a espécie Cryptosporidium hominis. Foram encontradas associações com possíveis fatores de risco, como não ter casa de banho em casa e maior risco de infeção por Campylobacter sp. e EIEC; consumo de água não engarrafada e maior risco de infeção por bactérias e parasitas no geral e por sapovirus, adenovirus, ECET, ECST, G. duodenalis, Cryptosporidium sp. e A. lumbricoides. Além disso, frequentar o jardim de infância ou escola foi associado a um risco aumentado de infeção por ECST, G. duodenalis e A. lumbricoides. Os patógenos intestinais são prevalentes em crianças com diarreia em Cabo Verde, especialmente nas que consomem água não engarrafada. Os resultados deste estudo mostram a necessidade de implementação de medidas de controlo da qualidade da água em Cabo Verde, bem como a necessidade de implementação de uma rede pública de saneamento que permita a eliminação eficaz dos excrementos, evitando assim a contaminação ambiental. Além disso, o conhecimento dos patógenos presentes nas crianças Cabo-Verdianas pode potencialmente ajudar a estabelecer um diagnóstico adequado para os casos de doenças diarreicas e, assim, permitir a aplicação de um tratamento eficaz para prevenir as suas consequências.